quarta-feira, 30 de abril de 2008

O trânsito de São Paulo

O ar está quente, as buzinas são incessantes, os motoqueiros xingam até as moscas que passam. A fila de carros é tão grande que não se vê o final. E tudo pára, exceto o tempo que continua a correr e a desesperar os atrasados.

Essa semana eu peguei trânsito sete vezes. Perdi três compromissos e cheguei atrasada em dois. Gastei dez horas dentro de um carro, parada, sem nada a fazer, completamente inútil. Mas não é isso que me incomoda nos congestionamentos de São Paulo.
O que realmente me incomoda é a forma como se transformam as pessoas que entram em automóveis. Passam de seres humanos e sensíveis à máquinas destrutivas. Quando se põe a seta para a esquerda, o carro do lado se adianta para impedir a sua passagem. Os idosos, que geralmente dirigem mais devagar, em vez de apoio e suporte, recebem buzinas e xingamentos. Os pedestres, que na verdade são pessoas normais, em seu estado normal, quase são atropelados várias vezes.
Aliás, o caso da faixa de pedestre é interessante. Os carros (ou pessoas dentro de carros, transformadas em máquinas destrutivas) não tem quase nenhuma preocupação que não o seu benefício. Querem passar na frente de todos para chegar antes de todos. Entretanto, devido a pressão externa existente (e aos CETs), os carros geralmente evitam fechar completamente um cruzamento (só quando o semáforo quebra). Mas e as faixas de pedestres? É incrível como os carros têm essa facilidade de estacionar sobre faixas de pedestres e nem se importar se atrapalham ou não. Os carros são superiores ao pedestre. O homem é refém da máquina.
Em situações de filas enormes em vias de mão dupla, não é incomum ver carros voando pela contramão, ou desesperados passando por tartarugas, cones, calçadas. Quando o homem (em sua forma de máquina destrutiva) se vê diante de um problema, de uma insatisfação, ele se vê no direito de fazer absurdos para o seu bem. Ele desbanca a lei de seu posto e segue a sua lei, que é superior a qualquer ética e moral, e justificavel, pois ele está muito atrasado para a reunião mais importante de sua vida. A classe média e alta, então, se encontra no poder de ser superior a lei (ou pelo menos de tangenciá-la em alguns momentos), porque se sente desprivilegiada nos infinitos congestionamentos de São Paulo.
E a classe baixa, pergunto eu, que sofre tantas outras atrocidades, muito piores, não podem se ver no direito de cometerem as subversões que quiserem? Mas as classes média e alta estão acima da lei...

Eu queria assistir o dia em que todos os agentes de trânsitos (CETs) fossem dispensados de seu trabalho. Tudo está liberado, ninguém vai tomar multa. Será que o caos se instalaria? Será que assistiríamos ao auge da degradação humana?
O que impede o ser humano (ou o ser maquinizado) de realizar as infrações que gostaria (e que já realiza eventualmente)?
Talvez eu erre em um ponto. Talvez o problema não seja o homem transformado em máquina destrutiva. Talvez o problema seja o homem, que é em si próprio totalmente destrutivo. O homem era o lobo do homem, mas lobos são muito bonzinhos diante da espécie que tratamos aqui.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Renúncia de Fidel Castro

Uma questão curta e direta:
o que significa, politicamente e economicamente, essa renúncia?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

INVEJA




quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

As Tropas e as Elites

Por L.T.W


Admito. Assisti ao famigerado filme "Tropas de Elite" não faz muito tempo. Mas ainda estou remoendo opiniões contraditórias. Admito também que não fui capaz, pela primeira vez nestas minhas décadas de existência, de ver o filme até os créditos finais. Abandonei a sala faltando 5 minutos (que depois recuperei na internet!). O incômodo foi tanto, que minha angústia intelectual, social, política virou mal-estar físico. Não fui capaz de aguentar. Pergunto-me: não suportei o filme, ou é a realidade que verdadeiramente me incomoda? Resposta: Talvez os dois.

A cadeia de violência gratuita? A crueldade? O Estado falido? O papel das elites? A intolerância? O tráfico e a pobreza? Tantas questões jogadas ao ar, um pouco sem resposta. Penso que a arte representa a realidade, e neste caso, um filme sem respostas (cópia de uma realidade sem respostas).

Estou um pouco longe das discussões brasileiras, mas o que escutei por estas bandas, entre conversas de bar e cafés, foi bastante significativo. Para alguns, é forte, mas é um bom filme de ação. Analisar a problemática do filme não estava em questão para algumas pessoas com quem falei.

Já para outros e para mim, pessoalmente, o peso na consciência foi o sentimento reinante. "Será que sou parte desta elite ignorante, que pensa ter consciência social, mas está apenas tirando de si o fardo de ter um pouco mais de dinheiro e cpital social em um país aonde reina a pobreza?".

Será que este Brasil é tão fragmentado que vivemos em dois mundos diferentes: os dos ricos e o dos pobres: a cidade de Deus e a cidade dos Homens. E nas interfaces de contato destes mundos o conflito é insuportavelmente doloroso?

Convivemos? Coexistimos? Cohabitamos? Compartilhamos medos e frustrações?

E este ciclo infindável de violência, aonde ele termina? Ou será que ele nos exterminará antes?

O sonho nao acabou na Argentina.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

No escurinho

Por: Dany Simon

Só estou pondo o texto abaixo pois o autor roubou descaradamente minhas idéias.

(A idéia é discutir o tema que o jornalista trata.)

CLÓVIS ROSSI

No escurinho

SÃO PAULO - O caso Renan Calheiros acaba sendo um condensado das indecências do mundo político brasileiro.
Ao assumir de público que não tem condições políticas de presidir o Senado, Calheiros confessa implicitamente que tampouco tem condições de ser senador. Afinal, o exercício pleno do mandato implica necessariamente a possibilidade de ser presidente.
Se não pode ser presidente, não está em condições de exercer a plenitude do mandato.
No entanto, renunciou apenas ao cargo principal, na tentativa de se esconder lá no escurinho da Casa, para não ser cassado.
Ao confessar falta de condições políticas, Calheiros está igualmente condenando seus pares, a maioria dos quais votou contra a sua cassação na primeira das muitas suspeitas que sobre ele pesam. Afinal, ao absolvê-lo, estavam devolvendo-o então à condição de presidente que o próprio beneficiado admite, agora, não ter condições de exercer.
Reincidiram no pecado na segunda tentativa. Como conseqüência do escândalo que foi a primeira votação, os senadores adotaram uma medida que significa, digamos, meio decoro: a sessão sobre a cassação é pública, mas a votação é fechada. A alegação -torpe- para o voto fechado é preservar o senador de pressões. Ora, quem não é capaz de enfrentar pressões não pode exercer um cargo público.
Homem público tem que dar satisfações permanentes ao eleitor, obviedade que sou obrigado a escrever porque, neste país, nunca se tergiversou tanto sobre os deveres óbvios das autoridades.
O resultado de ontem mostra que não só Renan precisa do escurinho. Afinal, 43 senadores declararam à Folha que votariam pela cassação, mas só apareceram 29 votos. A maioria tem mesmo que esconder o voto do público.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Nasce Benício Huck

Por: Dany Simon



Nasceu o segundo filho de Luciano Huck e Angélica, Benício.

Foi o que eu vi em inúmeras manchetes de revistas numa rápida visita a uma banca de jornal.