
Por Fabio Zuker
Resolvi escrever um texto baseado no debaixo, e unindo-o ao tema de uns livros que eu tenho lido sobre direitos humanos, comparando, assim, o genocidio de Darfur com as praticas nazistas do holocausto. Entao ai vai:
Olimpíadas do Genocídio
No decorrer de 2008, a China estará recebendo em sua casa os milenares Jogos Olímpicos, objetivando mostrar ao mundo toda a sua força como potência emergente: o país cuja economia mais cresce no mundo e os incontestáveis avanços que vem fazendo na área social ao longo das décadas. Entretanto, esse crescimento meteórico – motivo pelo qual o país fora apelidado de o Dragão Chinês – permeia práticas econômicas de moralidade dubitável, a exemplo das qualidades sub-humanas de trabalho, salários baixíssimos e forte influência da prática ilegal da pirataria em seu superávit anual.
Prescindindo o teor comercial-legal da economia externa chinesa, imprescindível atentar às finalidades a que se destinam muitos de seus compradores, especialmente quando se trata do mercado de armas. O Governo Chinês vem, desde o início do genocídio de Darfur, no Sudão, financiando atrocidades, nas quais militantes árabes do Norte do país atacam, covardemente, vilarejos civis de muçulmanos negros, ao Sul. É bem verdade que tal financiamento dá-se de maneira indireta, por meio do negócio de armas, entretanto, a conseqüência é uma só: 200 mil civis mortos e 2,5 milhões de refugiados no Chade.
Práticas de violação dos Direitos Humanos na África tornaram-se notórias com sucessos hollywoodianos, tais como Hotel Ruanda e Diamante de Sangue. Originam-se, na maioria dos casos, nos processos de colonização e descolonização do Continente Negro pelos Europeus, que, ao desrespeitarem toda e qualquer divisão político-administrativa anterior a sua chegada, partilharam a África (na chamada Convenção de Berlim), gerando problemas em torno da posse do Poder disputado por tribos rivais, obrigadas, desde então, a conviver em um mesmo território após a saída dos Europeus.
Cabe aqui uma explanação maior quanto a dimensão da atual problemática em Darfur, da qual valho-me de célebres pensadores do assunto como Norberto Bobbio, com a publicação de um texto denominado "Quinze anos depois" – trata-se de um discurso proferido na Sinagoga de Turim 15 anos após o Holocausto - e Hanna Harendt, que, judia, sobrevivente do Holocausto, dedicou sua vida acadêmica a estudos que resultaram em obras como "A origem do totalitarismo".
Dos pensamentos confluentes destes dois autores podemos tirar conclusões que intentam medir o grau das atrocidades que envolvem o genocídio. O genocídio (tal como o Holocausto judaico ou as práticas contra muçulmanos negros no Sudão) representam uma carnificina que agrega um fim em si só. Diferente de todos os preceitos humanos e táticas de guerra, nas quais a morte do inimigo consiste em um meio para atingir determinado fim, a barbaridade do genocídio encontra-se na coincidência entre fim e meio na morte, retirando da pessoa qualquer valor sobre o qual o Direito, de forma geral, edificara-se.
Quanto aos 2,5 milhões de refugiados no Chade, traçar um paralelo com o pensamento do jurista brasileiro Celso Lafer, que mantém um diálogo com Hanna Harendt em seu livro, A Reconstrução dos Direitos Humanos – Um diálogo com o pensamento de Hanna Arendt, parece muito cabível, guardando, claro, as proporções históricas: "na medida em que os refugiados e apátridas se viram destituídos, com a perda da cidadania, dos benefícios do princípio da legalidade, não puderam valer-se dos direito humanos (...) tornaram-se efetivamente supérfluos, porque indesejáveis erga omnes, e acabaram encontrando o seu destino nos campos de concentração".
Para finalizar, convido o leitor a uma reflexão: Que preço deve-se pagar pelo crescimento econômico? Até que ponto um vendedor pode se responsabilizar quanto a finalidade real da compra de mercadorias que, mesmo sendo um grande propulsor desenvolvimentista, viola descaradamente preceitos ético-morais, os mesmos preceitos sobre o qual a base da vida humana em sociedade fora estruturada, acima ainda do direito à propriedade?
Neste sentido, grupos ligados a defesa dos Direitos Humanos vem defendendo uma ação política junto as Olimpíadas Chinesas. Não se trata de boicotar as olimpíadas, mas sim, segundo Jamie O'Connell, Chefe do Departamento de Direitos Humanos da Universidade de Berkeley, de "shaming China into action, persuading the Olympics' corporate sponsors—such as Coca-Cola, Johnson & Johnson and Visa—to urge Beijing to change its policies on Darfur, and educating the public and policymakers on Darfur and China's role."