quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

As Tropas e as Elites

Por L.T.W


Admito. Assisti ao famigerado filme "Tropas de Elite" não faz muito tempo. Mas ainda estou remoendo opiniões contraditórias. Admito também que não fui capaz, pela primeira vez nestas minhas décadas de existência, de ver o filme até os créditos finais. Abandonei a sala faltando 5 minutos (que depois recuperei na internet!). O incômodo foi tanto, que minha angústia intelectual, social, política virou mal-estar físico. Não fui capaz de aguentar. Pergunto-me: não suportei o filme, ou é a realidade que verdadeiramente me incomoda? Resposta: Talvez os dois.

A cadeia de violência gratuita? A crueldade? O Estado falido? O papel das elites? A intolerância? O tráfico e a pobreza? Tantas questões jogadas ao ar, um pouco sem resposta. Penso que a arte representa a realidade, e neste caso, um filme sem respostas (cópia de uma realidade sem respostas).

Estou um pouco longe das discussões brasileiras, mas o que escutei por estas bandas, entre conversas de bar e cafés, foi bastante significativo. Para alguns, é forte, mas é um bom filme de ação. Analisar a problemática do filme não estava em questão para algumas pessoas com quem falei.

Já para outros e para mim, pessoalmente, o peso na consciência foi o sentimento reinante. "Será que sou parte desta elite ignorante, que pensa ter consciência social, mas está apenas tirando de si o fardo de ter um pouco mais de dinheiro e cpital social em um país aonde reina a pobreza?".

Será que este Brasil é tão fragmentado que vivemos em dois mundos diferentes: os dos ricos e o dos pobres: a cidade de Deus e a cidade dos Homens. E nas interfaces de contato destes mundos o conflito é insuportavelmente doloroso?

Convivemos? Coexistimos? Cohabitamos? Compartilhamos medos e frustrações?

E este ciclo infindável de violência, aonde ele termina? Ou será que ele nos exterminará antes?

O sonho nao acabou na Argentina.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

No escurinho

Por: Dany Simon

Só estou pondo o texto abaixo pois o autor roubou descaradamente minhas idéias.

(A idéia é discutir o tema que o jornalista trata.)

CLÓVIS ROSSI

No escurinho

SÃO PAULO - O caso Renan Calheiros acaba sendo um condensado das indecências do mundo político brasileiro.
Ao assumir de público que não tem condições políticas de presidir o Senado, Calheiros confessa implicitamente que tampouco tem condições de ser senador. Afinal, o exercício pleno do mandato implica necessariamente a possibilidade de ser presidente.
Se não pode ser presidente, não está em condições de exercer a plenitude do mandato.
No entanto, renunciou apenas ao cargo principal, na tentativa de se esconder lá no escurinho da Casa, para não ser cassado.
Ao confessar falta de condições políticas, Calheiros está igualmente condenando seus pares, a maioria dos quais votou contra a sua cassação na primeira das muitas suspeitas que sobre ele pesam. Afinal, ao absolvê-lo, estavam devolvendo-o então à condição de presidente que o próprio beneficiado admite, agora, não ter condições de exercer.
Reincidiram no pecado na segunda tentativa. Como conseqüência do escândalo que foi a primeira votação, os senadores adotaram uma medida que significa, digamos, meio decoro: a sessão sobre a cassação é pública, mas a votação é fechada. A alegação -torpe- para o voto fechado é preservar o senador de pressões. Ora, quem não é capaz de enfrentar pressões não pode exercer um cargo público.
Homem público tem que dar satisfações permanentes ao eleitor, obviedade que sou obrigado a escrever porque, neste país, nunca se tergiversou tanto sobre os deveres óbvios das autoridades.
O resultado de ontem mostra que não só Renan precisa do escurinho. Afinal, 43 senadores declararam à Folha que votariam pela cassação, mas só apareceram 29 votos. A maioria tem mesmo que esconder o voto do público.