segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Olimpíadas do Genocídio


Por Fabio Zuker

Resolvi escrever um texto baseado no debaixo, e unindo-o ao tema de uns livros que eu tenho lido sobre direitos humanos, comparando, assim, o genocidio de Darfur com as praticas nazistas do holocausto. Entao ai vai:

Olimpíadas do Genocídio

No decorrer de 2008, a China estará recebendo em sua casa os milenares Jogos Olímpicos, objetivando mostrar ao mundo toda a sua força como potência emergente: o país cuja economia mais cresce no mundo e os incontestáveis avanços que vem fazendo na área social ao longo das décadas. Entretanto, esse crescimento meteórico – motivo pelo qual o país fora apelidado de o Dragão Chinês – permeia práticas econômicas de moralidade dubitável, a exemplo das qualidades sub-humanas de trabalho, salários baixíssimos e forte influência da prática ilegal da pirataria em seu superávit anual.

Prescindindo o teor comercial-legal da economia externa chinesa, imprescindível atentar às finalidades a que se destinam muitos de seus compradores, especialmente quando se trata do mercado de armas. O Governo Chinês vem, desde o início do genocídio de Darfur, no Sudão, financiando atrocidades, nas quais militantes árabes do Norte do país atacam, covardemente, vilarejos civis de muçulmanos negros, ao Sul. É bem verdade que tal financiamento dá-se de maneira indireta, por meio do negócio de armas, entretanto, a conseqüência é uma só: 200 mil civis mortos e 2,5 milhões de refugiados no Chade.

Práticas de violação dos Direitos Humanos na África tornaram-se notórias com sucessos hollywoodianos, tais como Hotel Ruanda e Diamante de Sangue. Originam-se, na maioria dos casos, nos processos de colonização e descolonização do Continente Negro pelos Europeus, que, ao desrespeitarem toda e qualquer divisão político-administrativa anterior a sua chegada, partilharam a África (na chamada Convenção de Berlim), gerando problemas em torno da posse do Poder disputado por tribos rivais, obrigadas, desde então, a conviver em um mesmo território após a saída dos Europeus.

Cabe aqui uma explanação maior quanto a dimensão da atual problemática em Darfur, da qual valho-me de célebres pensadores do assunto como Norberto Bobbio, com a publicação de um texto denominado "Quinze anos depois" – trata-se de um discurso proferido na Sinagoga de Turim 15 anos após o Holocausto - e Hanna Harendt, que, judia, sobrevivente do Holocausto, dedicou sua vida acadêmica a estudos que resultaram em obras como "A origem do totalitarismo".

Dos pensamentos confluentes destes dois autores podemos tirar conclusões que intentam medir o grau das atrocidades que envolvem o genocídio. O genocídio (tal como o Holocausto judaico ou as práticas contra muçulmanos negros no Sudão) representam uma carnificina que agrega um fim em si só. Diferente de todos os preceitos humanos e táticas de guerra, nas quais a morte do inimigo consiste em um meio para atingir determinado fim, a barbaridade do genocídio encontra-se na coincidência entre fim e meio na morte, retirando da pessoa qualquer valor sobre o qual o Direito, de forma geral, edificara-se.

Quanto aos 2,5 milhões de refugiados no Chade, traçar um paralelo com o pensamento do jurista brasileiro Celso Lafer, que mantém um diálogo com Hanna Harendt em seu livro, A Reconstrução dos Direitos Humanos – Um diálogo com o pensamento de Hanna Arendt, parece muito cabível, guardando, claro, as proporções históricas: "na medida em que os refugiados e apátridas se viram destituídos, com a perda da cidadania, dos benefícios do princípio da legalidade, não puderam valer-se dos direito humanos (...) tornaram-se efetivamente supérfluos, porque indesejáveis erga omnes, e acabaram encontrando o seu destino nos campos de concentração".

Para finalizar, convido o leitor a uma reflexão: Que preço deve-se pagar pelo crescimento econômico? Até que ponto um vendedor pode se responsabilizar quanto a finalidade real da compra de mercadorias que, mesmo sendo um grande propulsor desenvolvimentista, viola descaradamente preceitos ético-morais, os mesmos preceitos sobre o qual a base da vida humana em sociedade fora estruturada, acima ainda do direito à propriedade?

Neste sentido, grupos ligados a defesa dos Direitos Humanos vem defendendo uma ação política junto as Olimpíadas Chinesas. Não se trata de boicotar as olimpíadas, mas sim, segundo Jamie O'Connell, Chefe do Departamento de Direitos Humanos da Universidade de Berkeley, de "shaming China into action, persuading the Olympics' corporate sponsors—such as Coca-Cola, Johnson & Johnson and Visa—to urge Beijing to change its policies on Darfur, and educating the public and policymakers on Darfur and China's role."

domingo, 21 de outubro de 2007

Olympics-Related Advocacy Could Help Change Chinese Policy on Darfur, says Boalt Human Rights Expert

Por Fábio Zuker

O texto que se segue foi publicado no jornal San Francisco Chronicle, por um professor da Universidade de Berkeley, California. Trata de uma questão interessante...


Jamie O'Connell, Program Officer in the International Human Rights Law Clinic
China will use the 2008 Summer Olympics, to be held in Beijing, "as an international coming out party, casting itself as an economic power, technological innovator and diplomatic leader of the first rank," writes Jamie O'Connell, program officer in Boalt Hall's International Human Rights Law Clinic (IHRLC) in a September 23 San Francisco Chronicle op-ed piece. Human rights activists, however, have labeled the games the "Genocide Olympics," highlighting the Chinese government's support for genocide in the Darfur region of Sudan. This strategy has promise, writes O'Connell, who conducts research and advocacy on genocide and crimes against humanity for the IHRLC , but he argues that this strategy must be accompanied by more vigorous action on the part of the United States and European governments.

Since 2003, the government of Sudan and Arab militias have bombed and raided villages inhabited by non-Arab Muslims in Darfur. More than 200,000 people have died and 2.5 million have fled to refugee camps inside the country and in neighboring Chad. The Bush administration and Congress have described the government's actions as "genocide." "China has made the atrocities possible," O'Connell writes, through its economic and diplomatic support of Sudan. China's purchases of Sudanese oil and investments in developing oil fields saps the force of the U.S. government's decade-old trade embargo on Sudan. The likelihood of a Chinese veto has stymied efforts in the UN Security Council to impose international economic sanctions.

O'Connell explains that human rights activists are using the Olympics to try to change Chinese policy. Public events, celebrity statements, and petition drives "have three goals: shaming China into action, persuading the Olympics' corporate sponsors—such as Coca-Cola, Johnson & Johnson and Visa—to urge Beijing to change its policies on Darfur, and educating the public and policymakers on Darfur and China's role."

China appears to be responding to the pressure, O'Connell believes, but the "Genocide Olympics" campaign needs to be part of a larger strategy. He urges readers to press the U.S. government to intensify its diplomatic efforts in Sudan, working with France and, if possible, China. "Darfur activist movements in Europe and key developing countries, such as South Africa, also need to grow," O'Connell adds. Finally, O'Connell considers continued divestment from the small number of corporations that are lending key support to the Sudanese government—already undertaken by the state of California—to be critical.

"Olympics-related activism also shouldn't go too far," O'Connell cautions, singling out the call by U.S. Rep. Dana Rohrabacher (R-CA) for the United States to boycott the Olympics. O'Connell endorses the conclusion by leading U.S. Darfur activist group the Save Darfur Coalition that pushing for a boycott would be counterproductive. "A boycott would erode the marketing power that Darfur activists are harnessing," writes O'Connell. "Boycott calls are also divisive, pitting some activists—and politicians—against athletes, sports fans, and others who are equally concerned about Darfur but believe the Olympics should go forward at full strength."

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Conversa à moda contemporânea

Discussao via "msn" sobre uma das questoes tratadas pelo filme "Tropa de Elite" de José Padilha.
Obs: o texto somente foi alterado em questoes de gramatica e escrita tipicas da linguagem informal via computador. Foi-se usado pseudonimos indecifraveis para preservar os envolvidos na discussao. Comentem!


AF MASCULINO diz:
voce viu tropa de elite?

AF FEMININO diz:
ainda nao.. mas sei do filme todo, por que?

AF MASCULINO diz:
sei la... pensei num negocio meio idiota, e queria comentar com alguem que iria me escurraçar pelo comentario, pode ser voce?

AF FEMININO diz:
lógico
AF FEMININO diz:
pode falar!

AF MASCULINO diz:
pensa... o filme discute bastante a questao do trafico e como a classe media alimenta este trafico, se infiltrando na favela, fazendo parcerias com os traficantes (injetando dinheiro obviamente) e ainda por cima fazem movimentos socias e ongs que procuram trazer uma vida mais digna pras pessoas da favela, porem dentro dessa realidade do dominio do trafico, certo?

AF FEMININO diz:
certo!

AF MASCULINO diz:
penso aqui da minha posicao, o que eu poderia fazer para mudar essa situacao idiota, visto que nao sou contra o consumo de drogas de maneira consciente, porem sou extremamente contra a violencia, sendo esta alimentada por esse comercio de drogas... nao tenho opiniao formada sobre a legalizacao geral da maconha entao pensei: o que fazer perante isso..? ai veio a ideia idiota....

AF FEMININO diz:
ebaa! que eh??

AF MASCULINO diz:
por que eu nao planto maconha, vendo (a preco simbolico, de custo sem fins lucrativos, disposto ate a ter prejuizos) para todos os consumidores de classe media que eu possa encontrar que iriam consumir de qualquer maneira, porem eu restrinjo quantidades, prezo pela qualidade e dessa maneira evito que o dinheiro desses jovens seja investido em violencia, e eu faria esse capital girar em torno do proprio produto visando a melhoria da producao, sem utilizar-se do dinheiro para fins violentos e/ou ilicitos... eu confio na minha responsabilidade e sei que nao me corromperia... o que acha?