quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Um outro caminho

Por Alex Fisberg

Bastante estranho se deparar com uma série de textos densos e bastante profundos sobre questôes de política das quais eu nao necessariamente domino ou possuo grandes interesses. O desinteresse pela política é uma questao pessoal minha, mas vejo que cada vez mais isto vem se tornando quase um movimento social de oposição.
Não é que eu nao acredite na política, mas acho que a forma política vigente dentro do sistema atual, é falha desde sua composição. Uma sociedade que prega o individualismo, o acúmulo de bens e riquezas baseia a maioria de suas relações através de interesses comerciais esta fadada a não levar a discussão política de um bem-estar social uniforme e igualitário de maneira convicta.
Não vou entrar por enquanto nos méritos que levam o capitalismo financeiro ou comercial a exigirem as divisôes de classes para o plenos funcionamento de sua estrutura, mas acredito que se é necessario agora começar a discutir um pouco mais de futuro e um pouco menos de passado. Com certeza temos muito a extrair do presente e passado político para planejarmos um futuro, mas aacredito estarmos inconscientemente adiando nossas funções dentro do planejamento de uma nova forma de organização política.
Este comentário nao tem de maneira alguma a proposta de ser uma afronta, mas sim uma tentativa de estabelecer um diàlogo dinâmico visando a construção de algo novo, prático e efetivo. Estou de fato cansado de ser alienado a maior parte da produção cultural, política e social pela descrença da identidade e autoria real desses produtos.
produtos(?) isso é tema pra uma discussão à parte

O Real e sua ligação com Racional no cenário político brasileiro


Por Fábio Zuker

O pensamento do filósofo alemão Hegel, século XVIII, pode ser muito bem resumido pela proposição de que “o racional é real, e o real é racional”

Averiguamos na prática esta filosofia nas atitudes de alguns de nossos ilustres representantes do cenário político nacional: O Real consiste naquilo discutido em plenário, e o Racional os anseios glorificados de alguns políticos.

Por outro lado, observemos a inviabilidade desta prática no mundo fora da política, um mundo afastado do Real, fictício na medida do possível, criado somente por aqueles que se disponibilizam a deturpar a Racional ordem social das coisas.

Afinal, nada mais Racional do que aqueles que votam com fome, coisa Irreal – inexistente. Já o Real, este sim, esbanjado em grandes quantidades no bolso dos Racionais.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

E aqueles que sempre continuam a acreditar...

Por Ana Fisch

Naquela noite o país passava por algo inédito. Em toda a sua vida, nunca um sentimento fora percebido de forma tão explícita. Muito menos aquele sentimento, o mais belo dos sentimentos, a mais válida das sensações, a mais pura de todas: a esperança. E nas ruas o povo chorava, homens e mulheres de todas as cores, tipos e religiões, de todas as classes sociais. A Avenida Paulista estava dominada e o clima que lá era imposto trazia para ela uma felicidade imensurável. As coisas finalmente vão mudar, pensava, e mais que isso, acreditava.
Naquela noite, a possibilidade de uma política mais correta e justa parecia viável, a possibilidade de um país menos desigual se aproximava, o Brasil transformado estruturalmente parecia realidade e não utopia. E durante noites e dias ela não deixou de acreditar. E vieram as primeiras ações liberais, as primeiras medidas conservadoras, os casos de corrupção, a falta de resultados, a queda daqueles em que ela um dia acreditou, do Chefe da Casa Civil, do presidente do Partido, do ministro daqui, do ministro de lá, do senador, do deputado. A cada dia que passava, a política se igualava a um lixão, cheio de chorume, de dejetos, de sujeira, onde nem os mais imundos dos urubus ousavam pousar.

Contudo, não se deve esquecer que do chorume, hoje em dia, se faz energia; que dos dejetos, se fazem objetos; que a sujeira pode ser transformada em brilho, em beleza. Porque por mais que todos cagassem em seus ideais, eles nunca deixariam de existir. E por mais que a política fique mais nojenta do que qualquer outra coisa, do que os coronéis nordestinos, ela nunca deixará de ser o instrumento mais valioso de todo e qualquer cidadão. E isso impede que ela deixe de acreditar, que ela deixe de sonhar. Isso obriga-a a manter seus ideais em pé e a lutar pelo que objetiva. A frustação deve aparecer nesse momento como obstáculo a ser sobrepassado, e não como muro intransponível. E disso, por alguns momentos, ela esqueceu. Ela quase deixou de sonhar, quase deixou de acreditar, quase deixou de ter esperança.


É claro que devemos tomar cuidado com a ingenuidade, e eu que o diga. Acreditei em todos os momento em Genoino. Votei nele após todos os escândalos, escrevi para ele. Ainda não acredito dessa posição ativa de corrupção e formação de quadrilha que ele teria tomado. Sinceramente não acho que a culpa foi dele. Mas não acho, tampouco, que ele é tão "café com leite" assim. Todos devem pagar por seus erros. E o erro de José Genoino foi ficar passivo a toda sujeira que entrava naquele partido. Não é tão ingênuo a ponto de não ter percebido nada, e sim é fraco de não ter tomado uma atitude. O que o difere de Dirceu.
Dirceu é um daqueles que faria qualquer coisa para atingir o objetivo final que procura, um daqueles para quem "os fins justificam os meios". E é aí, Dany, que eu procuro a resposta que te descabela a ponto de fazê-lo questionar a sua existência. Por que eles fazem isso? (Entenda-se por eles, os políticos). Concordo nesse ponto com aquele sociólogo Max Weber, sim o da ética e do capitalismo. Dizia Weber que o objetivo final de todo e qualquer partido político é conseguir ter poder político. Nesse ponto, Dirceu fez o que se esperaria de um político. Fez o que pôde para garantir o poder de seu partido, o que no Brasil implica em alianças políticas, o que no Brasil implica em pequenos ou grandes presentes a outros partidos, o que no Brasil sempre aconteceu e nunca foi questionado, o que no Brasil está muito errado. Porque no Brasil a justiça não funciona, porque no Brasil nos faltam valores, e eu reitero, onde estão os valores?

O PT, ou alguns atores de dentro do PT, corromperam Deus e o mundo para garatirem que seu canditado fosse eleito. Acredito que isso seja imperdoável e de uma sujeira indescritível. Mas o problema não se foca no PT, ou no PSDB, PFL, etc. O problema se foca no sistema político brasileiro, que não funciona. Mas isso é uma discussão para outro momento.
Para finalizar, farei um diálogo com Weber, já que todos os anteriores procuraram dialogar com alguém. Eu lhe digo, caro Max, que meu conhecimento sociológico não se compara ao seu, e até concordo com seu ponto de vista. No entanto, não restrinjamos todos os partido políticos a esse único objetivo vil. A política, por mais que tenha suas falhas, ainda é um instrumento valioso para as possibilidades de mudança e algum dia, os partidos serão limpos e utilizarão desse instrumento pelo bem da população.
Essa é uma daquelas que sempre continua a acreditar...

O rei do gado - uma barreira à prática democrática

Por Fábio Ozias Zuker
O texto abaixo, fora escrito em 20 de junho, quando ACM encontrava-se doente. Mais de um mês depois o político bahiano falecia: Hoje de manha, ao acordar, e ser notificado quanto a internação do ACM, Antônio Carlos Maglhães, me questionei quanto ao papel que verdadeiros marajás, descendentes diretos daquelas oligarquias nordestinas decadentes descritas por Freyre, desempenham na contemporaneidade. O título do texto, é uma alusão a ACM (Rei) e os Nordestinos, pelo menos os bahianos (gado).ACM é hoje, e o será amanhã, se não falecer, é claro, o símbolo máximo da sobrevivêcia de algumas oligaruias nordestinas. Gilberto Freyre, o grande sociólogo nordestino da década de 30, exaltava o passado - criando uma visão idilista deste - temeroso de um futuro no qual as oligarquias, da qual ele mesmo pertencia, não mais teriam o domínio social, criando uma situação semi-caótica. Segundo ele, a democracia política, o novo Estado Brasileiro que surgia, destruiria toda a democracia racial construída com a escravidão (tem um tom bem sarcástico aqui).Entretanto, porém, muito embora e contudo, Gilberto Freyre esqueceu-se, ou pelo menos não observou em seu tempo, o caráter transformativo daqueles que querem se manter no poder. Alguns visionários oligaquicos perceberam: A solução esta na dominação dos meios de comunicação. Não é a toa que ACM é dono de diversas tlevisões e jornais bahianos (além de 89,99% do Estado da Bahia - dado inventado, hehe) e Collor o é também em Alagoas. Ah lembrem-se de Severino Cavalcanti, nada mais é do que um Sr. de Engenho sem engenho. enfim, o voto de cabrfesto, as pressões eleitorais foram substituídos pelos meios de comunicação, que ainda hoje pode ser considerada uma dominação legítima, com todas as suas pressões psicológicas, quando comparados ao voto de cabresto.Interessa, e muito a estes Reis manterem o seu Gado pobre, murcho, com fome e sede. Interessa-os pela manipulação de massas, é esse o gado que, desesperado por novas soluções para a sua vida - se é que às vezes assim pode ser denominada - põe-os no poder. A grande evolução que Freyre não preconizara fora esta, a de que dominando os meios de comunicação, as oligarquias que o fizessem amnteriam seu dominío, dominío maléfico e mal intencionado.Daí concluo, a seca no Nordeste não tem, nem nunca terá solução. Porque ELES (marajás, ACMs, Cavalcantis) NÃO querem. Perderiam poder, não mais se elegeriam, não mais fariam suas falcatruas, não mais seriam presidentes do Senado. Dom Pedro II esquematizou um sistema, guardando as proporções históricas, perfeito para a solução da seca do Nordeste. MAs este não foi aplicado, devido à necessidade da manutenção do voto de cabresto. E NÃO SERÁ APLICADO HOJE, DEVIDO A MANUTENÇÃO DA DOMINAÇÃO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO (a tv é o grande ditador do mundo moderno).Freyre, fique tranquilo, o futuro dantesco que o Sr. prevera aos seus contarrânios e compatriotas oligarquicos não ocorreu, pelo menos para aqueles que conseguiram dominar os meios de comunicação. Descanse em PAZ :)

INGENOÍNO?

Por Dany Simon

Não sei, li uma vez que alguém disse que não existe comunista com mais de sessenta anos, ou coisa do gênero. Não sei se foi o Lula (falta de memória, não ironia), mas lembro que Oscar Niemeyer contrariou esta afirmação com veemência, dando como contra-exemplo sua própria pessoa.
Em tempos de ditadura, os ditos subversivos ao regime, os “comunistas”, grande parte das vezes se organizavam para lutar contra os autoritarismos e os autoritários. As expressões foram das mais diversas, da música e teatro até a luta armada, tanto na guerrilha urbana, como também na guerrilha rural.
Não vivi este “tempo infeliz de nossa história”, nem tampouco posso dizer como reagiria aos atentados contra a liberdade, mas hoje em dia digo que os subversivos tinham razão e dou minha admiração. Simpatizo com nomes como Chico Buarque, Geraldo Vandré, José Celso, Marighella, José Genoíno, pelo que fizeram outrora em prol de nosso povo e nossa liberdade (se somos livres hoje em dia é outra questão, mas pelos menos nosso regime democrático pressupõe liberdade).
Por falar em José Genoíno, li seu nome hoje na página principal da Folha de São Paulo. Ex-presidente do romântico partido dos trabalhadores, não está estampado por alguma luta pelo povo que seu partido tanto luta (aí sim uma ironia), e sim, por estar sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal, órgão máximo do sistema judiciário brasileiro. Acusação: corrupção ativa, “oferecer vantagem indevida a funcionário público. Pena de 2 a 12 anos, podendo ser aumentada em um terço”.
Sempre me pergunto: será que acusações brotam como ervas daninhas, “do nada”? Creio que não. Alguma base, mesmo que mínima, deve existir para tal. Mesmo que não seja condenado, tem as mãos sujas de merda, mas, com certeza, o Lula não sabe de nada.
É nessas horas que procuro uma justificativa incansavelmente. É nessas horas que surgem minhas olheiras de tanto não encontrar uma solução. É nessas horas que minha existência entra em uma crise sem precendentes, quase entrando em colapso. Mas por que raios, um filho da puta, que tanto lutou pelo Brasil, arriscando sua própria vida por uma ideologia maior, hoje presta um baita desfavor para nós, contribuindo ainda mais para um política imunda, cheia de pessoas mais imundas ainda?
Caro Niemeyer, até que você pode ser comunista, mas este senhor que acabo de descrever, juntamente com mais alguns companheiros, se esqueceram destes ideais, pois se deixaram levar pela cobiça do poder. Ah, esta cobiça, que tanto maldizia Charles Chaplin, no “Último Discurso”, de “O Grande Ditador”.
Mais alguma palavrinhas: é uma pena, realmente.