quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Foucault e os Políticos Brasileiros

Por Fábio Zuker

Vendo as últimas postagens, comentários e pensamentos,ocorreu-me que estamos indignados com a votação de ontem no Senado, no caso Renan Calheiros, quanto a um dos seus quatro processos (se tem uma boa notícia é que ele aidnda tem mais 300% de chance de ser cassado. Ah, a OAB entrará com um recurso de inconstitucionalidade no regimetno interno do Senado, junto ao STF, para impedir que a cessão seja fechada, pelo menos isso).

Deve-se, tal indignação, em parte, ao fato de sermos jovens, de não estarmos ainda calejados pelas constantes aberrações da Política Nacional. E foi justamente lendo um texto do psicolólogo e filósofo frances Michel Foucault, que eu pensei em relacionar a sua crítica ao panorama político brasileiro. De contuendencia e consonância impecável com o atual momento histórico de VEXAME por qual este país passa.

Escreve Foucault sobre o livro O Príncipe, de Maquiavél, no qual são prescritos de onde surgem os perigos ao Reinado do Príncipe, e como pode este combatê-los. Quanto ao Príncipe, disserta o filósofo francês:

"o príncipe está em relação de singularidade, de exterioridade, de transcendência em relação ao seu principado; recebe o seu principado por herança, por aquisição, por conquista, mas não faz parte dele, lhe é exterior; os laços que o unem ao principado são de violência, de tradição, estabelecidos por tratado com a cumplicidade ou aliança de outros príncipes, laços puramente sintéticos, sem ligação fundamental, essencial, natural e jurídica, entre o príncipe e seu principado."

Senão vejamos. Renan Calheiros, um genoíno descendente das oligarquias nordestinas que sobreviveram a todas as crises pelas quais o país passou. Bem como seus antepassados, que ao Brasil vieram buscar riquezas, explorando assim o povo, Renan o faz no Senado, indubitavelmente utilizando-se do mandato público que lhe foi concedido - para variar a família de Renan, assim como a de ACM e Collor monopoliza a mídia nordestina em seus respectivos estados.

Vejamos o texto supramencionado: "estabelecidos por tratado com a cumplicidade ou aliança de outros príncipes". Se fazer uma votação com voto secreto, e fechada ao público não representa esta tal cumplicidade entre príncipes, não sei o que mais o faz.

Pare. Pense! Não é de se admirar que o Ilustríssimo Presidente do Senado Nacional se encaixa perfeitamente como o objeto/pessoa para o qual o livro de Maquiavel fora escrito?

Mas a filosofia de Maquiavel não foi aceita de maneira pacífica, diversos pensadores o criticaram, e assim escrevem quanto a erronea arte de se governar.

"Enquanto a doutrina do príncipe ou a teoria jurídica do soberano procura incessantemente marcar uma descontinuidade entre o poder do príncipe e as outras formas de poder, as teorias da arte de governar procuram estabelecer uma continuidade, ascendente e descendente."

No livro de Guillaume de La Perriére, um destes críticos a Maquiavel a seguinte afirmação:
"governo é uma correta disposição das coisas de que se assume o encargo para conduzi−las a um fim conveniente".

Sugiro aos nossos políticos que troquem o seu livro de cabeceira. Esta literatura crítica pouco conhecida e explorada parece oferecer uma postura política muito mais benéfica ao bem comum do que a maquiavélica, que assombra, ou ilumina, os sonhos de tantos Calheiros, Jebaralhos, Cavalcantis, Collors...

4 comentários:

Vai Levando... disse...

meu comentario: Acho que a obra de Maquiavel pode ter sido mal-interpretada(como costuma ser).O livro "O Princípe" não era uma projeção do que os governantes (principes) deveriam ser ou como deveriam agir, mas sim uma análise, do ponto de vista de Maquiavel, de como a política de fato acontecia. Considerando que Maquiavel entrou para a politica cedo e atuou como Secretário da Segunda Chancelaria (acredito que durante o governo de Lourenço de Médici, sua obra visa retratar o que foi OBSERVADO em sua experiência próxima de alguns governantes. Acho que vale a pena uma boa lida no clássico, que tem muuito a acrescentar a todos nós, talvez até de uma maneira jornalística ou midiática. Desculpe nao comentar o texto como um todo, mas esse fato me chamou a atenção.
Ass: Um admirador de Maquiavel

Vai Levando... disse...

Por Fábio Zuker

A obra de MAquiavél é toda a estruturação de uma teoria de como um governante despótico deve-se manter no poder.
Não vejo formas de validar esta obra ao motivo pelo qual fora escrita, mas concordo que pode ser ADAPTADA ao mundo contemporâneo no que diz respeito a competividade no mercado de trabalho e etc...
Mas isto é uma adaptação, não o fim para o qual a obra fora elaborada.
Ass: Um admirador em termos de Maquiavel

Vai Levando... disse...

Acho que não ficou clara a minha colocação. O livro de Maquiavel não é teorico. Não era na época e nao é agora uma projeção do que um lider despótico deveria ser. O livro é uma análise de COMO os governantes despóticos que naquela época governavam se portavam. A meu ver, o próprio Maquiavel não concordava nem estimulava o comportamento dos líderes citados no livro, quem cita Maquiavel para justificar as ações de um líder despótico alegando que o livro é um guia, esta na minha opinião fazendo uma livre adaptação de acordo com interesses pessoais. Acho a obra extremamente válida do ponto de vista histórico mas que suas adaptações aos dias de hoje não são tão bem vindas, a não ser que algum ministro nosso se interesse em escrever um livro parecido, contando de maneira distanciada como de fato a corrupção acontece em nosso governo para, ai sim, termos bases concretas para desfazer a burocracia da corrupção.

Fábio Zuker disse...

Por Fabio ZUker

Me parece que na realidade estamos falando da mesma coisa, mas com focos diferentes.
Se ele via na prática como um líder despótico se comportava, e escreve para Lourenço de Médice, senão me engano o grande mecenas de Florença, toda uma análise prática de como estes líderes que haviam permanecido no poder, de maneira despótica ou não, encararam com sucesso as dificuldades que surgiram, trata-se obviamente de um guia.

Se bem me recordo, Lourençi de Médice era sim um mecenas, ou seja, pagava para pessoas fazerem-lhe pesquisas e trabalhos artísticos.Maquiavel era um deles, não?

Portanto, afastando-se de seu posicionamento quanto a questão, fez uma análise que por fim foi utilizada para o fim, talvez até deturpado, mas o mais utilizado de sua obra