Por: Dany Simon
Já vinha frisando.
Leia o texto de hoje, 18/09/07, de Clóvis Róssi, publicado na Folha de São Paulo:
CLÓVIS ROSSI
Bye, bye, princípios
MADRI - Luiz Inácio Lula da Silva, eterno candidato, era eternamente contra a CPMF, como ele admite. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente, é a favor da CPMF.
Por que mudou, mudou por quê? "Você não governa com principismo. Principismo você faz no partido quando pensa que não vai ganhar nunca as eleições. Quando vira governo, governa em função da realidade que tem", respondeu Lula no sábado, afundado no sofá do bar do suntuoso hotel Palace de Madri, onde se hospedou até ontem, quando viajou de volta.
O conceito é de um pragmatismo cru. Por isso mesmo é também perigoso, muito perigoso. Equivale a criar a figura dos princípios prêt-à-porter. Você vai ao supermercado político, olha os princípios disponíveis e escolhe aqueles que lhe convêm num dado momento.
Quem muda de princípios conforme a posição que ocupa na prática não tem princípios.
É essa, digamos, elasticidade de princípios que acaba criando o pântano que vem sendo a política nacional. Bem feitas as contas, é o mesmo princípio, digamos, que explica o mensalão, segundo Lula. Lembra-se da frase "o PT só fez o que todo mundo faz no Brasil"? Pois é. Enquanto era oposição, o PT era contra, "por princípio", qualquer esquema parecido com o do mensalão.
Depois que se tornou governo, "governa em função da realidade que tem". Qual é a "realidade que tem"? Segundo Lula, é que todo mundo faz (no caso, faz caixa-dois, o que é crime, convém sempre deixar claro). Então, vão para o saco, como se diz hoje, os princípios do tempo em que o partido "pensava que nunca ia ganhar as eleições".
Locupletemo-nos todos.
No tempo em que não ganhava eleições, o PT teria crucificado qualquer Renan Calheiros por muito menos do que se sabe hoje sobre o Calheiros de verdade. Hoje, bye, bye, principismo.
terça-feira, 18 de setembro de 2007
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7 comentários:
Por: Dany Simon
G-E-N-I-A-L ! ! !
Falou e disse.
Assino em baixo.
Eu não gosto de falar de política, mas acho válido falar sobre pessoas. Acho que nosso presidente, nos últimos tempos, já nos forneceu material o suficiente para fazermos uma análise de caráter. Achei interessantíssimo o que Clovis Rossi escreveu em seu texto sobre princípios. Os príncipios devem ser inerentes à personalidade individual de cada um, independendo do cargo ocupado. É isso que distingue uma pessoa de bem de uma outra qualquer, a pessoa com boas intenções E princípios bem resolvidos, terá privilégio na hora de atuar de maneira condizente com sua proposta ideológica, pois não estará forçando nenhum comportamento. Se Lula acredita que os principíos e, por que não a ideologia deve variar de acordo com cada momento e/ou cargo ocupado, temos um problema de credibilidade em que não podemos assumir apoio a nenhum homem de cargo público sem ficarmos em dúvida se ele alterará a posição com a qual concordamos.
Por Ana Fisch
Eu queria fazer um estudo sobre isso. Sobre a falta de valores do mundo atual, sobre a facilidade com que princípios são assumidos e esquecidos.
Um medo meu é ser hipócrita. Talvez, quando jovem, seja normal dizer coisas e não agir de acordo. Será que ser jovem é uma justificativa plausível? Será que os adultos não podem se enganar? Mudar de opinião?
Eu acho que podem. Mas sem sarcasmos, o Lula não podia. Não nesse nível.
Vivemos no mundo do desencantamento, como disse Weber, em que ética é sinônimo de chatice e valor é coisa de religioso.
É uma grande pena!
Vamos, retomemos os princípios que um dia regeram a vida dos homens! Ou nunca regeram nada? Acho que essa é outra discussão.
Com tudo o que aqui já foi escrito, como tudo o que já foi debatido, julgar o Lula como hipócrita, sem princípios ou qualquer um dos adjetivos mencionados no texto constitui a mais puira hipocrisia.
Sabemos, e CLovis Rossi também o sabe, que o que ocorre na política brasileira envolve muito lobby, muitos interesses, de muita gente poderosa e com muito dinheiro.
Ser oposição sim é diferente do que ser situação. SAber se adaptar às situações, defendendo princípios básicos de equidade é essencial ao político que perambula ora pela situação, ora pela oposição.
Não justifico o erro/crime do PT. APenas explico-o. Não se trata de ser ou não voluvel, de firmar-se a ideologias inertes, mas sim de perceber a insustentabilidade destas.
O PT na oposição preconizou coisas diferentes, mas, quando situação se tornou, foi enraigado dos mesmos erros que sempre criticaram, sem os quais jamais poderiam ter governado da forma que governaram (seja bom ou ruim, teria sido pior).
O buraco é muito mais fundo do que a questão da falta de ideologia e do moralismo, está na manipulação de massas, na não democracia brasileira e, essencialmente, na Educação.
Vale lembrar uma frase de um dos, indubitavelmente, maiores sociólogos que este país já teve, não entrando no mérito quanto a sua atitude política, acerca das disparidades entre a teoria (o que o PT preconizava como oposição) e a prática (governo PT):
"Esqueçam tudo o que eu escrevi"!
FHC?
sim... pq?
zuker
Por Ana Fisch
Só pra constar. Eu sou totalmente a favor da CPMF. Talvez o imposto mais justo desse país.
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