quarta-feira, 5 de setembro de 2007

O avesso do Público

Por Laura Waisbich

São Paulo, grande metrópole, em geografiquês diz-se Megalópole, cidade conurbada, região metropolitana. Tantas alusões, a palavras "Polis", aquela mesma que se insere em Política. Entretanto, São Paulo possui espaços verdadeiramente públicos? E, generalizando, grandes cidades modernas, possuem ainda aquela velha dicotomia entre público e privado? Tendo a achar que não.

Nossa cidade é um amontoado de organismos privados, escassos são os ambientes públicos. Raras são nossas oportunidades de vivenciar um ambiente público. Quem não dá pulos de alegria quando avista uma vaga na rua? Sozinha, sem flanelinhas, nem Zona Azul, nem Estapar. Estranha sensação; estamos a tentar resgatar o caráter público da rua (aquela que é tanto minha, quanto sua, quanto nossa).

Parques são raros. Quando os temos, não somos completamente felizes ( ou tranquilos). Algo em nós não nos deixa sermos seres sociais, aqueles que habitam a polis. A razão é porque desconfiamos de todo e qualquer vizinho. A Pólis moderna, local de falcatruas, roubos, corrupção, homicídios nos convida diariamente a duvidar dela.

De certo que este cenário, nos levaria a um pessimismo sem fim. Então proponhamos outra coisa, se a Metrópole nos faz distantes, porque não darmos nós um primeiro passo. Interagir é sentir-se parte. E enxergar é bem diferente de ver. Abrir os olhos para São Paulo é se envolver novamente em seus rumos. E a política nem sempre é democracia formal representativa. Criticar as autoridades, votar com consciência são atos necessários; mas não exclusivos. Proponho, então, tirar fotos no centro da cidade, pegar uma bicicleta e pedalar, andar a pé, comprar picolé e comer na rua, abrir um livro e ler na praça/no ônibus. Ou então, assistir a um espetáculo gratuito, de preferência ao ar livre ( para sentir aquele cheiro de massa humana, sentir-se parte do abarrotado de gente, viver na pólis).

O público e o privado são conceitos filosóficos, mas são também como os encaramos. Podemos ser habitantes de nossos mundos privados ou podemos nos dar a chance de retornarmos a verdadeira pólis.

3 comentários:

Vai Levando... disse...

Que tal a recente caricaturização da problemática público-privado com a nossa ilustre Circareli, que, após fazer sexo, ato privado, em uma praia, local público, acusou o flagrante de invasão de privacidade.
Ai que confusão!
Detalhe, depois deste episódio ela se inscreveu na faculdade de direito da FMU!

Vai Levando... disse...

Por Alex Fisberg
Duas reflexões curtas sobre a questão da nossa inserção no espaço público e a relação interpessoal que mantemos com o mundo exterior. Citando duas frases de um artigo publicado na Veja de 31 de janeiro de 2007 (tem coisa boa por lá, é só procurar...)da escritora Lya Luft, "Não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar a nossa postura no mundo". O texto publicado na revista propõe uma breve reflexão sobre como as relações com o próximo entram em declínio no modelo de sociedade em que vivemos. para fechar esse comentário, cito uma segunda passagem de bastante densidade reflexiva:"Em lugar de nos amargurarmos pela loucura, podridão e injustiça, podemos abrir mais espaço para o bom e o belo, que afinal existem".

Vai Levando... disse...

Por Ana Fisch

Concordo com Alex e Laurinha.
A cidade é nossa, mas não interagimos com ela com se de fato fosse. Talvez porque os poderes públicos não fazem dessa cidade a nossa, pois não nos dão mais praças e parques, mais quadras e ciclovias, mais segurança. Ou até mesmo por causa da burocracia insuportável: sabia que para se fazer uma peça em uma praça, por exemplo, é necessária uma autorização da prefeitura?
No entanto, bastam algumas atitudes nossas para usar a cidade de outra forma. Devemos sim ir aos parques de domingo, devemos jogar bola na rua, devemos fazer pic-nic, tomar sol no Ibira, ler nos ônibus, conversar com os vizinhos, etc, etc, etc.
O melhor de tudo é que tem gente fazendo as coisas acontecerem. Dou de exemplo o Movimento Nossa São Paulo: Outra Cidade, que tem exatamente esse intuito de tornar a nossa São Paulo, uma melhor cidade. Pra quem se interessar mais, vale a pena conferir o site: www.nossasaopaulo.org.br.