sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Até quando?

Por: Dany Simon

Olá a todos. Depois de algum tempo, cá estou eu de volta.

Recentemente, um fato que foi muito comentado pela mídia afora foi o julgamento pelo Senado de seu presidente, o senhor Renan Calheiros (PMDB, base aliada do governo). Sua integridade política foi posta em jogo devido a algumas acusações gravíssimas contra a sua pessoa, com base em provas contundentes e mesmo confissões do próprio. Nada mais justo que passar por um ato democrático para saber da sua continuidade quanto representante de um órgão tão importante quanto o que presidia.

Este é o problema.

Como é sabido, numa sessão foi decidida a não cassação deste senhor através do voto secreto. Senadores eleitos pela nação brasileira, um povo tão politizado, que representam veementemente nossos interesses, tomando decisões sem nos prestar contas? E se o senador que eu confiei meu voto por dizer representar meus interesses, numa eleição secreta, vota contra meus interesses por um dinheirinho no bolso ou por precisar prestar favores a outrem, qual é a base deste sistema político? Parafraseando Raymundo Faoro, pode-se afirmar que vivemos numa “democracia sem povo”.

Questiono-me diariamente da real importância do povo nas tomadas de decisão oriundas principalmente de Brasília. Será que o povo (entenda o sentido literal da palavra) tem alguma relevância além de receber cestas básicas e algumas obras em época de eleições, para manter a corja que se mantém no poder e manter a alta popularidade do sapo barbudo? Será que não tem algo de errado? Será que sou eu que estou ficando louco? (OK, uma resposta não exclui a outra.) Ao que me consta, o governo se sustenta com base na falta de informação e na ignorância do povo.

Acho que ouvindo minhas preces, começou-se a cogitar o fim das votações secretas. Ponto para o avanço político que tanto torcemos para que ocorra no Brasil. Ponto positivo, mas ainda continuamos com outro problema, a velha impunidade. Ah, essa é melhor deixar de lado, afinal, somos brasileiros e sempre damos nosso jeitinho para resolver nosso problemas, certo? Nós, os cidadãos, ou nós, a elite branca, dita perversa pelo ex-governador Cláudio Lembo?

Numa entrevista dada à revista Carta Capital, Ciro Gomes (PSB, tido como futuro candidato à presidência do bloquinho, coligação composta por PSB, PDT e PC do B), ao ser questionado sobre as diferenças ideológicas no âmbito das alianças políticas, respondeu sucintamente: “ideologia é o de menos”. Isso mesmo, os partidos não representam ideologia alguma, e sim interesses. Muito bem constatado, senhor deputado.

Finalizo com alguns dizeres de J. R. Guzzo, num artigo na revista Exame. “Mas o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é provavelmente o primeiro que tomou, de forma deliberada e consciente, a decisão política e estratégica de jogar todas as suas fichas no apoio à corrupção e na defesa da impunidade para os que se envolvem em problemas com o Código Penal, desde que façam parte de seus quadros ou sejam aliados”.

A ser pensado.

3 comentários:

DJ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vai Levando... disse...

Concordo com tudo o que comentaram!

Vai Levando... disse...

Por Ana Fisch

Palavras muito bem colocadas pelo Dany. Uma visão crítica, clara e correta da política no Brasil. Como já dizia o primeiro ministro inglês Churchill, a democracia é o pior sistema político, exceto todos os outros. E complementado por Saramago, seria democracia o que vivemos? Votar de 2 em 2 anos e só?

Só gostaria de ponderar um ou outro aspecto. Será o Sr. Luis Inácio Lula da Silva o pioneiro em utilizar da corrupção uma forma explícita de governar e ser eleito?

E sobre a questão da votação secreta. É sim um absurdo. Mas não esqueçamos da história de nosso país, que já teve anos de ditadura. Nessa época que as votações se tornaram secretas, exatamente para evitar perseguições políticas (e suas terríveis consequências) aos que votassem contra o governo.
Não vivemos mais nessa ditadura, mas será que ela está totalmente terminada? Será que não existe, como já foi citado por Fábio Zuker, o famoso coronelismo no Nordeste? Será que os contrários seriam abençoados e não perseguidos?
Acho que seriam abençoados, e que se exploda a votação secreta, mas não custa nada pensar nisso.