quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Juventude

Por Ana Fisch

A nossa juventude sempre sonhou em ter a "sua" própria ditadura. Vivemos à mercê do passado de nossos pais, tomando como nossas as lutas que eles ganharam, sofrendo as dores das torturas que eles foram vitimas, chorando as lágrimas que caíram de seus rostos. Nunca nos satisfizemos com os nossos problemas, com os nossos governos, com as nossas causas e ideologias. É claro, não é? Falta à nossa percepção um inimigo comum, daqueles bem estereotipados, visíveis, contra quem possamos latir, rosnar, morder e até arrancar pedaço. A gente queria é poder olhar pro presidente e ter certeza de que ele é o culpado de tudo e de que derrubá-lo salvaria nossos problemas. 'Ah, seu burguês filho da puta, você mesmo, que criou o AI-5, você não vai tirar a minha liberdade! Eu perco minha vida se for necessário para te enfrentar!' Ter isso seria uma delícia... mas nós, atual juventude, não temos isso.

Somos uma juventude dispersa, fútil, desesperada e desesperadora. Alguns de nós, os mais intelectuaizinhos, votam no PSOL e xingam todos que sobem ao poder. Outros votam no PSDB, odeiam o PT, odeiam os mais intelectuaizinhos e acham o Lula ignorante. Alguns votam em quem dá na telha, essa semana eu fui com a cara do Turco Louco, e vai lá e vota nele. São os mais despolitizados que só estão pensando na cervejada do fim de semana. Existem os ecléticos também, que o que mais querem é fumar um banza, mas votam com consciência. Ou os que também querem fumar um banza, mas votam sem nem pensar. Ou os que estudam bem as possibilidade antes de votar, e odeiam o Lula. Enfim, a análise combinatória aqui criaria inúmeras possibilidades de jovens. O ponto é que nos falta um fator de maior identificação que una todo esse povo.

Eu fico horas pensando em como mobilizar a nossa juventude. A forma que acho mais viável é envolver uma oportunidade de estágio, ou um contato interessante, na proposta de mobilização. Os jovens dos dias de hoje querem algumas coisas fundamentais: um bom emprego, uma viagem irada, boas baladas, bastante álcool e algumas drogas. (Sim, eu estou generalizando! Mas a maioria é assim,vai?)

Tá, mas esse não era o ponto da discussão que eu queria entrar. O fato é que nós temos sim um inimigo na nossa frente, que emperra o Brasil, que tira a nossa liberdade, que estraga qualquer sonho que um dia um de nós sonhou. E não é só um inimigo não, são vários! (Talvez esse seja o problema). A impunidade é um dos inimigos, a corrupção é outro. Posso elencar mais alguns, no entanto vejo esses dois como os principais, os líderes. Se eles caírem, os outros se resolverão.
E eu declaro o dia de hoje, 13 de Setembro, como um dia de luto, um dia de parar o que se está fazendo para refletir o que se deveria fazer, um dia para a juventude unir as suas forças e lutar contra esse inimigo comum, que não é o Renan, mas sim a sua impunidade, o sistema político, o que aconteceu como um reflexo do que tem acontecido.
Eu queria sair às ruas, vamos? Somos jovens, não? Se não fossem os caras pintadas o Collor ainda estaria no poder. E tudo começou com uma passeata. Temos que fazer algo! Precisamos! É a nossa chance, como cidadãos, de provar a nossa cidadania.
E se você está inconformado como eu, por favor fique assim! Não tente se conformar com a forma como as coisas funcionam aqui no Brasil, porque isso é impossível. Temos sim que ficar inconformados pois só assim faremos alguma coisa.

5 comentários:

Vai Levando... disse...

Por: Dany Simon

Concordo totalmente com o primeiro parágrafo. Já dizia Belchior na belíssima voz do mito Elis Regina: “ainda somos os mesmo e vivemos como os nossos pais”.

Quanto à alienação da juventude, ela é grande, mas não chega a ser uma regra. No meio em que vivemos, no meio universitário, o que prevalece são pessoas com um bom poder aquisitivo quando comparado ao do restante da população.

Dizer que os únicos eventos dos órgãos representativos dos alunos de minha faculdade privada, que são frequentados maciçamente pelos alunos são as mega-baladas, não é nenhuma novidade. Palestras, filmes e eventos culturais são para uma minoria, a qual, humildemente faço parte. Não digo que isso vai mudar o mundo, mas me orgulho de ter este acesso e poder passar pra frente minhas idéias, que sim, farão alguma diferença, mesmo que mínima, mas já me contenta.

Pau no cú do PSOL, pau no cú do PT, pau no cú do PSDB. Siglas não significam nada. O que realmente importa são pessoas, são poucos políticos que ainda tem alguma vontade de privilegiar interesses da população. Vote nulo, é mais fácil não se comprometer com nenhum filho da puta, que nunca apresenta nenhuma proposta decente, deste modo não te representando.

Sim, eu penso na festa do final de semana que eu vou pesadamente encher a cara. Não vejo mal algum nisso. Vejo mal se você faz disso a sua vida. Tenho sim minhas preocupações paralelas. A mobilização começa aos poucos, claro, começando pelo seu traseiro gordo.

O real inimigo do Brasil, ao meu ver, é a falta de investimentos a longo prazo. Seja pelo governo pensar no seu bem-estar durante seu mandato, não querer enfrentar interesses alheios, ou por falta de informação, ou por falta de vontade, ou por burrice, ou seja lá qual o motivo. Alguns pontos básicos devem ser melhorados e estabilizados para que haja um maior desenvolvimento. Por que não um investimento na área da educação? Ou mesmo uma reforminha, mesmo que previdenciária? Deste modo aumentaríamos a produtividade de nosso país, já é um ótimo começo, não é, senhor Luís Inácio?

Vamo lá time!!!

Vai Levando... disse...

Por Fábio Zuker

Temos sim nossos inimigos. Outro dia conversava com um amigo, sobre os futuros sociólogos do Brasil, que acham que a ditadura ainda não acabou.

Não radicalizando, tampouco sendo catastrófico, ela realmente não acabou, se modificou.

Paulo Maluf era do ARENA!

Hahhaa, o Poder Constituinte Originário - que criaram a Constituição de 1988 - permaneceu no poder (obs: Isso é igual aberração na história mundial!!!!!)

A mídia controla as massas, com dizeres, que estão em nós enraizados: "NEnhum político presta" "Isso não tem solução".

TEm! MAs é difícil. Tem gente séria, mas que não consegue se impor num antro no qual a maioria não compartilha ttal seriedade.

Vou além, o Brasil é ainda um país oliguarquico (´leia o texto referente a ACM).

Demos uma educação de verdade, parssimoniando equações químicas de pv=nRT com a cidadania.

Estudo de Direitos e Deveres,obrigações do Estado, que, SIM, esta plena educação tiraria-nos desta porcaria que é a impunidade neste país.

Saíamos às Ruas!
Pintemos nossas caras!
Ponhamos narizes de palhaços!
Paremos nossas universidades!
Invademos Nossas Reitorias!

Mas, que enfim, algo seja mudado,
Renan absolvido, absurdo premeditado!

Vai Levando... disse...

Por Ana Fisch

Só para constar que, sobre as políticas de longo prazo, o Lula fez um investimento pesado em educação infantil e nas regiões Norte e Nordeste, já são quase 100% das crianças que freqüentam a escola, que vem sendo melhorada e aprimorada.
Mas entra a questão da mídia. Ela de fato não mostra esse tipo de ação, porque ela quer coisas práticas, visíveis, claras. Então pontes e viadutos lhe encantam. Educação e saúde não.

Entra em questão o interesse midiático. As pessoas que controlam a mídia são as pessoas que estão no poder e que querem se manter no poder. Por que isso? Ontem assisti uma palestra de Oded Grajew que ilustrou muito bem esse argumento. Dizia ele que a impressão que temos pela imprensa, é de uma realidade política podre e imutável e de que qualquer um que lá entrar, sujo sairá. Isso faz com que nós, sociedade civil, nos afastemos da política. Quem quer entrar na política atualmente? São poucos...
E é interesse dos que lá já estão, que nos comandam, nos direcionam, que outros não venham competir com eles, que eles possam se manter lá sem ser questionados. E enquanto a população tiver essa visão pessimista da política, eles estarão impunes.

Não tenhamos medo de entrar para a política. Não sairemos todos sujos de merda. Um outro Brasil é possível e não está distante de nós, basta acreditar e FAZER acontecer.

Vai Levando... disse...

Por Noam Chomsky, (n. 1928). Lingüista, escritor e ativista pelos direitos humanos norte-americano.

"A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica. E deixar cicatrizes no cérebro".

Eu, Fábio, acredito que passamos por um período de despolitização, entre o final da Ditadura militar e os dias atuais

Vai Levando... disse...

Por: L. Waisbich

Não sei porque, mas tendo a achar que política nos dias de hoje não se faz em partidos. Talvez, porque com o fim de polarizações ideológicas, estes perderam sua identidade. Qual é a diferença entre a política econômica do PT e do PSDB? Por mais xavão que seja esta pergunta, e por mais óbvia que a resposta seja, me parece assim mesmo elucidativo. Se não há diferenças, passamos a não crer nos partidos como forma de representar nossa identidade.
De toda forma, a despolitização vem não só desde DESENCANTAMENTO. Ainda não conseguimos achar um substituto para a democracia formal, as eleições. Como sentir-se cidadão sem as formalidades? Será a democracia participativa? O que é isso? Perda de interesse, frustação? Desencantamento do mundo...