Por: Dany Simon
Na capa desta semana, a Carta Capital estampa: “falta provar o mensalão”. Concordo e, até que se prove o contrário, quase todos são inocentes. De fato, houve grande pressão por parte da imprensa para que os 40 acusados se tornassem réus. Mas, e daí? Não é de sua obrigação manifestar-se de acordo com sua opinião? Claro que há a idéia de perseguição esquizofrênica por parte dos governistas. É verdade que durante os governos anteriores a imprensa era mais “light”, mas estes contavam com uma dura oposição, o PT da teoria (hoje está em vigor o da prática, completamente oposto ao que proferia).
Mino Carta, da mesma revista, que apóia o governo Lula, ainda se diz injustiçado pelo fato de só haverem grandes investigações no governo Lula. Novamente fico indignado. Este senhor quer que as investigações comecem quando? Depois do terceiro mandato do ex-pobre metalúrgico, para que continue não sabendo de nada?
Independentemente do que se diga, eu acredito que está havendo uma movimentação política positiva. Não vou me iludir, mas a vejo com base em dois fatos – a publicação de um livro pelo governo, expondo os abusos da ditadura escancarada, “Direito à Memória e à Verdade”, e o julgamento dos mensaleiros que atentaram fortemente contra a democracia, que tanto lutaram – que melhorias no âmbito da transparência política vêm sendo implantadas. Claro que ainda falta apurar muita bandalheira do presente e, principalmente, do passado. Todavia, já é um pontapé inicial, fundamental para qualquer pretensão de mudança.
Quanto a estas mudanças, penso igual ao excelente jornalista Clóvis Rossi: devem surgir com base em movimentos oriundos da sociedade, em que se cobre e se faça pressão nos políticos. Prestação de contas, é exatamente disso que precisamos. Não acho que estes programas sociais que tanto aparecem na mídia são perfeitos. Também não julgo correto saqueá-los, nem tampouco pixá-los, vide artigo de Fábio Zuker.
Alienação política foi o que se viu nas últimas eleições presidenciais. Falta de discussões produtivas, falta de cobrança de um programa de governo coerente, falta de vontade de discutir. Quando se está descontente com algo, ou mesmo desiludido, o pior a fazer é deixar tudo como está. Assim, nada será feito. A não atitude dá força para a situação. Estando descontente com a situação política, ao deixa-lá de lado, os malfeitores mal-intencionados continuarão no poder, e, com mais força ainda. Então, estando descontente, o melhor a ser feito é ir, dar a cara pra bater, batalhar, para assim conquistar algo, para chegar a algum lugar. Se o pontapé inicial não for dado, como raios alguma coisa irá mudar? O conformismo é uma merda, assim como a burrice e falta de informação.
Já dizem os sábios do futebol: “quem não faz, toma”. Como diz Geraldo Vandré: “quem sabe, faz a hora, não espera acontecer”.
Vem, vamos embora, mas, para o lugar certo, para o meio-de-campo.
Inconformados de todo mundo, uni-vos e mexei-vos as respectivas bundas.
É isso aí minha gente.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
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2 comentários:
bom texto, com uma ressalva...num sei s considero clóvis rossi um excelente jornalista, mas é questão d opinião. Abraço Dany
Por Ana Fisch
Concordo e discordo, como sempre.
Não acho que as investigações de corrupção devessem começar daqui anos, no mandato de outro presidente. Mas que a mídia odeia o Lula, é fato. E isso é positivo até certo ponto. Enquanto ela for criticar construtivamente, propor mudanças, denunciar crimes, estará fazendo seu papel da forma que eu considero ideal. Contudo, se o seu papel for limitado a acusações infundadas (não estou falando que o Dirceu, por ex, não é culpado!), notícias sensacionalistas e alfinetadas 'gratuitas', eu já começo a ver algum problema.
O que a imprensa vem fazendo desde o início do governo Lula é esfaquear sem objetividade. O fantástico Mino Carta tenta minizar as esfaqueadas e mostrar um outro ponto de vista.
Ele critica sim o governo atual, mas não omite suas virtudes. E é isso que falta aos outros jornalistas.
Lula e sua equipe, apesar dos pesares, já fizeram muitas coisas positivas: investimento em educação de base, distribuição igualitária dos recursos financeiros, minimização do desmatamento, melhoria das relações externas, programa bolsa-família, investimento pesado nas populações mais miseráveis, entre outras. Todavia, nada disso anula os pecados que fizeram na questão ética.
A questão é que a mídia não é mais 'light' com outros governantes, ela simplesmente não critica. Pensemos no querido futuro canditado a presidente José Serra (ah, sim, o governador/ prefeito). Ele faz coisas que a mídia se recusa a falar, como a questão da USP, e que são estrondosas. E nem falemos de corrupção, certo...
Bom, mídia a parte, a sociedade civil vem vestindo a camiseta de cidadania e tomando as rédeas das políticas públicas no Brasil. Muita gente tem se mobilizado para mudar muita coisa. Citando o Movimento Nossa São Paulo, que o próprio Clóvis Rossi admira, vem-se travando uma luta contra a Petrobrás pela maior qualidade do Diesel; criou-se uma projeto de lei que obriga que todo prefeito eleito nessa cidade crie um plano de governo detalhado e preste contas à sociedade semestralmente; indicadores da cidade vem sendo criados para que possamos ter maior noção de como estão 'as coisas'.
Pessoas extremamente capacitadas de todo o Brasil estão jogando, basta a nós, incorfomados de todo mundo, entrar na partida para marcar o gol!
Para maiores informações: www.nossasaopaulo.org.br
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